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Familia Hazim, Azim e Azin

6 de out.
25 min de leitura

SOMOS DESCENDENTES DE MIKHAIL HAZIM


Kfar Aakka, Distrito de Koura, norte do Líbano



O filho George Hazim*1835 e Saria Jacobi*1840 (meus tataravós)


O casal George e Sadia eram nascidos, casados e falecidos em Kfar Aakka, no Libano.      Não temos informações de como era a vida da família, mas sabemos que tinham terras e provavelmente eram agricultores de oliveiras.

Sobre filhos não sabemos quantos tiveram ao todo, mas dos três filhos que vieram para o Brasil.

Que são, George Mikhail, Nikulas Mikhail e Yacub Mikhail.


Nikulas Mikhail Hazim (Nicolau Miguel) *1870 foi o primeiro a imigrar para o Brasil por volta de 1897/1898, fixando residência em São José, Santa Catarina.

George Mikhail Hazim (Jorge meu trisavô) *1857 com Yacub Mikhail Hazim (Jacob Miguel) *1874 o irmão mais novo, vieram em 1899 para se encontrarem com o Nicolau.

George (Jorge) era casado em Kafar Aakka com Maryanne Abrahão.

Tiveram 4 filhos que são: o Hazim George (Jorge, o filho) *1880, Mikhail (Miguel) *1883, Jubran George (Gebram)*1896 e Samuil (Samuel) *1898. Durante a viagem já no Brasil o vapor atracou no Porto de Antonina, no Paraná, Jorge decidiu ficar no local.

O irmão Jacob Miguel era solteiro e continuou a sua viagem para São José, Santa Catarina.

 

DE ONDE VIEMOS...

Somos de uma pequena vila no norte do Líbano. Localizada no Distrito de Koura e chamada de Kfaraakka (seu nome com algumas variações na escrita). No Brasil, como Kafaraca.

                                            

Kfaraakka (também conhecida como Kfar Akka), “Kfar” (em árabe: كفر): palavra siríaco-aramaica que significa aldeia, "Aakka" (árabe: عق): palavra siríaco-aramaica que significa tristeza, portanto o significado de Kfaraakka é a “Aldeia da Tristeza”.

Kfaraakka foi inúmeras vezes reconstruída, devido a várias batalhas durante séculos por ser um local estratégico e perto do mar.                                                                                 

Hoje é uma charmosa e histórica vila, situada a 13 quilômetros de Trípoli e cerca de 350 metros acima do nível do mar, geograficamente estende-se sobre duas colinas principais que são a Mar Youhanna e a Mar Nohra.

Se destacando por suas paisagens montanhosas exuberantes e vales verdes dominados por oliveiras. Também é famosa, por ser a maior produtora e exportadora de azeite de oliva e sabão tradicional do Líbano.

Kfaraakka mistura a arquitetura tradicional de telhados vermelhos com uma rica herança histórica medieval.

 

RELIGIÃO

São Jorge é o santo padroeiro de Beirute e possui uma veneração histórica profunda em todo o Líbano. Em Kfar Akka, há uma forte devoção religiosa ao santo guerreiro, servindo como um símbolo de proteção e resistência. O santo também dá nome a importantes templos da vila como a Igreja de São Jorge (Ortodoxa Grega) e a Igreja de São Jorge (Maronita).


A Família Hazim tinha raízes profundas na comunidade cristã ortodoxa grega do local. Onde era realizado o controle demográfico de nascimentos, casamentos e batismos da família, quase inteiramente pela igreja, pois os registros civis oficiais eram escassos sob a administração otomana.


A Linha de Sucessão e a Tradição Ortodoxa

Como George Mikhail Hazim, Nikulas Mikhail Hazim, Yacub Mikhail Hazim, isso confirma que o pai se chamava Mikhail Hazim (daí o uso do patronímico). O fato de o filho de George também se chamar Mikhail, reflete a forte tradição da comunidade cristã ortodoxa grega de Kfaraakka de homenagear o avô paterno no nome dos netos.

Obs. George (Jorge) Hazim no Brasil, não usava o nome Mikhail do seu pai.

 

RAZÕES PARA A IMIGRAÇÃO

A grande imigração de habitantes de Kfaraakka (e de outras vilas do Monte Líbano) para o Brasil no final do século XIX, especialmente por volta de 1897, foi motivada por uma combinação de pressões políticas, tensões religiosas e forte crise econômica sob o domínio do Império Turco-Otomano.

Como os moradores de Kfaraakka eram majoritariamente cristãos ortodoxos e maronitas, a instabilidade na região tornou o Brasil um destino altamente atrativo.


Os principais fatores que impulsionaram esse êxodo foram:


Opressão e Instabilidade sob o Império Otomano: O Líbano estava sob o controle dos turcos-otomanos. As populações cristãs sofriam com a falta de direitos políticos, a imposição de altos impostos e o temor constante de perseguições sectárias e recrutamento militar obrigatório.                                      

Crise Agrícola e Escassez de Terras: Kfaraakka dependia fortemente da agricultura, sobretudo da produção de oliveiras e seda. No final do século XIX, o colapso do mercado de seda local (devido à concorrência asiática) combinou-se com a escassez de terras cultiváveis para as novas gerações, empobrecendo as famílias.                                                                                         

A Migração em Cadeia: Os primeiros pioneiros que saíram de Kfaraakka rumo ao Brasil enviavam cartas e dinheiro de volta para a vila. O sucesso econômico desses primeiros imigrantes, que prosperavam rapidamente no comércio urbano e como mascates, motivou famílias inteiras a comprarem passagens em navios nos anos seguintes, gerando o pico migratório na virada do século.

Essa corrente migratória foi tão expressiva que muitas famílias tradicionais de Kfaraakka como por exemplo as Sessim (Cecy), Hazim, Gariba entre outras, que estabeleceram raízes profundas no Brasil.

O ano de 1897 marca o período exato, imediatamente anterior à grande onda migratória, que levou muitos membros desse clã a deixarem a vila de Kfaraakka rumo ao Brasil e a outras partes das Américas, como a Argentina e os Estados Unidos.

 

VIAGEM

Nesta época a jornada de Kfaraakka no Líbano até São José em Santa Catarina era uma verdadeira odisseia transatlântica que durava entre 30 e 50 dias, dividida em quatro etapas principais.

A rota planejada combinava transporte terrestre precário, navegação de cabotagem pelo Mediterrâneo, transatlânticos a vapor pelo Oceano Atlântico e pequenos vapores na costa brasileira:


1. O Trecho Terrestre e Marítimo Inicial (Líbano)

Kfaraakka até o Porto: A família descia as colinas do distrito de Koura. O trajeto até o litoral era feito a cavalo, em carruagens ou a pé.

O Porto de Partida: O embarque ocorria mais frequentemente no Porto de Trípoli (El-Mina), que ficava mais próximo de Kfaraakka, ou no Porto de Beirute, que possuía maior infraestrutura.


2. A Travessia do Mediterrâneo até os Portos de Conexão

Como o Líbano estava sob o Império Otomano, os portos locais raramente tinham linhas diretas de navios transatlânticos para a América do Sul. A família Hazim precisava pegar um navio menor (de cabotagem) que cruzava o Mar Mediterrâneo até os grandes portos europeus. As principais rotas de conexão eram:

Rota Francesa (A mais comum): Beirute/Trípoli - Alexandria (Egito) - Marselha (França). Em Marselha, os imigrantes ficavam em hospedarias portuárias aguardando o transatlântico.     Rota Italiana: Beirute/Trípoli - Gênova ou Nápoles (Itália).


3. A Travessia do Atlântico rumo ao Brasil

A partir de Marselha ou Gênova, eles embarcavam em navios a vapor transatlânticos de companhias como as francesas "Messageries Maritimes" e "Société Générale de Transports Maritimes", ou as italianas "Navigazione Generale Italiana".

O Destino Inicial no Brasil: O navio cruzava o Oceano Atlântico e entrava no Brasil pelo Porto do Rio de Janeiro ou pelo Porto de Santos.

A Parada Obrigatória: Ao desembarcarem em Santos, os imigrantes passavam pela Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo para triagem, exames médicos e carimbo de passaportes.


Que se tenha conhecimento nenhum dos Hazim passou pela Hospedaria dos Imigrantes ou se naturalizou brasileiro posteriormente.


4. A Rota Final para Santa Catarina com a passagem pelo Paraná

Para chegar a São José (SC) em 1898, a rota exigia um novo embarque marítimo na costa sul, pois as ferrovias não conectavam essas províncias de forma direta.

O Trajeto Original: Eles deveriam pegar um navio menor (vapor de cabotagem) de Santos com destino ao Porto de Desterro (atual Florianópolis). São José fica vizinha à capital catarinense, bastando uma travessia curta de barco ou por terra após o desembarque em Desterro.

Desvio em Antonina: No meio desse caminho marítimo para o sul, o vapor fazia uma escala programada no importante Porto de Antonina, no Paraná.


VARIAÇÕES DOS NOMES E SOBRENOME NA VIAGEM E ORIGEM

 

O país de origem, Líbano, Síria ou Turquia, já que na época eles portavam passaportes do Império Otomano.

- Jurj, Iurj, George, Giaourgi, Jorge.

- Yacub, Yakub, Iacob, Jacó, Jacob.                                                     

- Nikulas (origem grego) ou Nicolau.

- Mikhail, Mikhael, Miguel.

Sobrenome: Devido a fonética, Hazim, Hasim, Hazem, Azim, Assim ou Rasim.  

 

 

APÓS A CHEGADA EM SEUS DESTINOS E MUDANÇA DOS NOMES 

Nos primeiros anos os irmãos mantiveram o sobrenome Hazim, depois abrasileiraram.


Nikulas Mikhail Hazim, mudou para Nicolau Miguel Azim e posteriormente na Argentina, Azin.

George Hazim, mudou para Jorge Azim e seus filhos para Jorge Azim Jr. e Miguel Azim.

Yacub Mikhail Hazim, mudou seu nome para Jacob Miguel Azim.



HISTÓRIA DOS TRÊS IRMÃOS E SEUS DESCENDENTES



NIKULAS MIKHAIL HAZIM - NICOLAU MIGUEL AZIM

Nicolau*por volta de 1870 em Kafar Aakka, Líbano. Veio para o Brasil entre 1897 e 1898, como já comentado, fixou residência na Praia Comprida, São José, Santa Catarina.

Casado com Rosa Luiza Dabal (Dabol)*por volta de 1875, também de origem libanesa, tiveram 8 filhos nascidos, batizados e registrados em São José.

São eles: Simão, Nazira, Miguel, Adelaide, Olendina, Andira, João e Benjamin. 

Nicolau era negociante no comércio de fazendas e armarinhos, localizado na Praia Comprida até 1917 (Jornal de Florianópolis).

Neste período após a falência do seu comércio Nicolau resolveu mudar-se para a Argentina, foi uma época de transição até 1921. Primeiro foram residir em Santa Fé na Argentina sua esposa Rosa com 6 filhos, ficando Nicolau, Nazira e o filho Simão que trabalhava em navios no Porto de Florianópolis. Com a mudança de país a família Azim mudou o sobrenome para Azin.

                                                                                    

SIMÃO TORNOU-SE SIMON AZIN (o primogênito)

Simão* 23/08/1898 em Florianópolis, Santa Catarina e faleceu no dia 23/12/1963 em Bronxville, New York, E.U.A. Chegou nos Estados Unidos com as mãos abanando, desembarcando no Porto de New York e desengajado do navio mercante brasileiro “Atalaia” no dia 15 de maio de 1918, resolvendo permanecer nos Estados Unidos, onde aprendeu o inglês. Entrando com o processo de naturalização em 24/09/1921 e sendo aprovado e finalizado no dia 9/12/1930.

Foi operário de fábrica de pólvora, representante comercial, corretor de imóveis e fabricante de licores.

Nas décadas de 40, 50 e 60 vinha periodicamente ao Brasil e Argentina. Nas primeiras entradas declarava ser comerciante e depois exportador. Morava na Huron Road, n.76, Yonkers, New York.

Em 1938 inaugurou seu restaurante típico de comidas brasileiras, o único em New York chamado “Simon Brasilian Garden” em Manhattan, era uma casa de fachada de arenito na 58th Street. O sucesso não tardou a bater-lhe a porta, e o proprietário do restaurante, que chegara pobre a Nova Iorque, agora é um homem rico.

Decorou-o com quadros brasileiros que figuraram na Exposição Internacional de New York e fazia do seu estabelecimento um centro de propaganda do Brasil.

Seu carro chefe era a deliciosa feijoada e a caipirinha como também a carne guisada, picadinho, bife a cavalo, empadinhas e camarão cozido. Para a sobremesa preferiam sorvete de abacate e de laranja. O café após as refeições era o ponto alto do restaurante, depois de saboreá-lo os clientes encomendavam pacotes de café torrado para fazerem em casa, mas nunca aprendiam direito e retornavam ao “Brazilian Garden” para tomar o melhor café do mundo.

Entre os fregueses citou Eisenhower e a sua esposa (antes de ser eleito presidente), Lady Mountbatten, André Kostelanetz, Lily Pons, Ole Casini, Madame Chiang Kaí Shek, além de inúmeros artistas famosos. Brasileiros importantes em visita a NY frequentavam o local.

Simon fez fortuna, além do prédio onde funcionava o restaurante comprou os edifícios ao lado.


Em 1955 fechou seu restaurante e em 1959 vendeu tudo. Dizia... “Nestes 40 anos de vida nos Estados Unidos, fiz todos os esforços para uma melhor propaganda do Brasil”. Iria permanecer mais 2 anos e meio nos Estados Unidos, tempo necessário para que suas filhas concluíssem os estudos e também este período continuaria ajudando os brasileiros que fossem a New York. Em seguida retornaria definitivamente ao Brasil a fim de gozar com tranquilidade a sua velhice. Estes eram seus planos... Decidiu se aposentar dos negócios antes de se mudar em definitivo para Yonkers, onde viveu seus últimos anos.


SIMON SEU CASAMENTO, FILHAS E FAMÍLIA

Casou-se em 17/05/1945 em NY com Evelyn Marian Gellner Harvst *20/06/1912 em New Jersey, USA - +7/08/1999 em Madison, New Haven, Connecticut, USA.

Tiveram 3 filhos: Joseph Simon Azin 1937-+2003, Doris Anne*8/10/1938 e Diane Rosalyn *21/04/1946 no mesmo local.

Simon sozinho ou com a esposa e as filhas viajaram algumas vezes para o Brasil e Argentina, para que elas conhecessem os locais e reencontrassem os familiares. Em 1960, Simon morou em Buenos Aires na Rua Maipu,n.959. (Dados extraídos dos registros de entradas de permanência de estrangeiros no Brasil).       

Mas o sonho de voltar ao Brasil não aconteceu. Apenas 3 anos depois no dia 23 de dezembro de 1963, Simon falece no Hospital Lawrence em Bronxville, no Estado de New York, com 65 anos.


Seu filho Joseph*1937, casou-se e teve sua própria ramificação familiar nos EUA, com registros que aparecem associados a fundos familiares e propriedades privadas sob o nome de “Joseph Azin Revocable Living Trust”. Embora tenha raízes em Nova York e Connecticut, seus registros r

residenciais e de negócios na maturidade concentraram-se na região do Texas e estados adjacentes. Trabalhou com seu pai no desenvolvimento do restaurante até 1955, quando foram encerradas as atividades. Faleceu em 2003 e a maior parte das suas informações permanece protegida sob leis de privacidade e registros civis familiares nos EUA.


Sua filha Doris Anne*8/10/1938 se casou em 11/06/1960 em Bronxville, NY, com Dean James Bennett Jr.*26/09/1934 - +7/09/2026 em Naples, Florida (conhecido na comunidade como “Skip”). Doris se formou em psicologia e Dean em física na mesma faculdade. Em 1956 o casal fundou e expandiu globalmente a “Bio-Med Devices”, uma influente empresa com sede em Madison, Connecticut, especializada na fabricação de ventiladores e respiradores médicos pulmonares de alta tecnologia, para hospitais e transportes hospitalares. Tiveram 3 filhos que são, Dean, Diane e Dia. Como também 11 netos.


Sua filha Diane Roslyn Kroll*21/04/1946, casou-se em 1965 com Dallas Lawrence Kroll.

Tiveram 1 filho, Brian*1972 em New Jersey, casou-se com Amy Jenene Black em 1994, na Carolina do Sul.


Após o falecimento do Simon, Evelyn casou-se com Arthur Reginald Potter.

 

NAZIRA*26/01/1901 SC - +20/12/1974 em Joinville. Casou-se em S. José no dia 10/02/1921 com Hanna Salim Amin* 5/02/1902 Líbano - +13/07/1972 em Joinville. Após o casamento foram morar em Joinville, Santa Catarina. Tiveram 4 filhos nascidos no local, que são: Zaine (*1921), Angelina (*1929), Santa (*1930) e Jamil (*1940).

Eram frequentes as visitas entre Nazira com seus filhos de Joinville e minha avó Adelia Azim de Bona em Curitiba. As famílias eram muito amigas e sendo consolidado com os encontros carinhosos e alegres, entre as suas filhas e netas por décadas.

MIGUEL*6/01/1905, nacionalizou-se na Argentina perdendo a nacionalidade brasileira sob decreto no dia 17 de dezembro de 1957. Em sua entrada no Brasil em 1952 declarou ser comerciante e casado. Residia na Rua Lavalle, n.4551 em Santa Fé, Argentina (dados extraídos dos registros de entradas de permanência de estrangeiros no Brasil) + antes de 2014.

ADELAIDE *16/12/1906 em S. José, Santa Catarina. Casou-se com Masfud Nabte e residiam no Bl. Pellegrini 3031, Santa Fé, Argentina.

OLENDINA*6/08/1909 em S. José, Santa Catarina, Brasil. Casou-se na Igreja de São João Batista no dia 7/10/1935 com Urbano Manoel Portilla*1/01/1912 em S. José del Rincon, Capital, Santa Fé, Argentina.

ANDIRA*4/10/1911 em S. José, Santa Catarina, Brasil. Casou-se com ...Galmes.

JOÃO*29/10/1912 em S. José, Santa Catarina, Brasil.

BENJAMIN*12/09/1914 em S. José, Santa Catarina, Brasil.


Obs. Na notícia do “Jornal de Bronxville Review and Repórter” sobre o óbito do Simon, é relatado o nome de todos os irmãos (janeiro de 1964)

Infelizmente não temos informações sobre como viveram e faleceram Nicolau e Rosa na Argentina, ou ainda estão sepultados...

 


YACUB MIKHAIL HAZIM - JACOB MIGUEL AZIM 

Jacob Miguel*19/06/1874 em Kfar Aakka e faleceu no dia 4/09/1960 em Biguaçu, Santa Catarina.                                                                                            

Chegou em São José, Santa Catarina em 1899 indo morar com o irmão Nicolau e sua família, provavelmente trabalhavam juntos no comércio. Jacob se casou na Igreja Matriz de São José no dia 18/02/1905 com Irna Mussi Sallim *15/08/1884 no Libano e faleceu no dia 5/12/1979 em Biguaçú, Santa Catarina.


Embora os registros comerciais específicos após 1906 em nome de "Azim" sejam escassos em Biguaçu, as famílias Mussi e Sallim eram amplamente conhecidas na região por suas fortes atividades comerciais, confecções, armarinhos e tecidos. O casamento entre Jacob e Irna uniu a forte tradição mercantil e de mascates dessas famílias árabes com o ramo Azim, explicando a posterior fixação deles na região.

Tiveram 13 filhos, são eles: Aristides, Jorge, Isabel, Nagibar, Matias, André Jacob, Nagib, Maria, Chams, Luzia, João Jacob e Elmosa.


ARISTIDES* 1/1906 e batizado em São José dia 9/09/1906. Faleceu, foi sepultado e no dia 2/02/1919 foi feito o registro no cartório (não foi mencionado o dia do óbito). 

JORGE*21/05/1907.                                                                                       

ISABEL*8/05/1908. Obs. No registro do seu casamento foi declarado que nasceu no dia 8/05/1912. Casou-se no dia 25/02/1931 em Biguaçú com Polycarpo Oliveira*9/09/1907 em Florianópolis, faleceu em 1980.

NAGIBAR*12/07/1909

MATIAS*16/10/1911 (Gêmeo de André Jacob) - +27/10/2001 em Biguaçú.

ANDRÉ JACOB*16/10/1911 - +4/01/1996 em Florianópolis. Casou-se com Paulina Anderson Verissimo e tiveram 3 filhas: Marli, Maria Bernadete e Maria Aparecida.                                          

NAGIB*12/07/1913 em Biguaçú - +27/10/2004 em Florianópolis, casou-se no dia 26/01/1935 no local com Altino Lobo da Silva*17/01/1916 em Biguaçú.

MARIA*14/05/1914 em Biguaçú.

CHAMS*28/04/1916 - +24/04/2005 em Biguaçú. Casou-se e na sua lápide está como Chams Azim da Silva.

LUZIA*3/09/1917 - +25/08/2011 em Lages-SC, batizada na Igreja de São Miguel, Biguaçú, Santa Catarina, Brasil. Realizado no dia 9/05/1920. Casou-se no dia 23/06/1938 com José Euclides Rosa em Tijucas, SC.                                                                                            

JOÃO JACOB*12/03/1920 - +3/01/2012 em Biguaçú, foi batizado na Igreja de São Miguel, Biguaçú, Santa Catarina, Brasil. Realizado no dia 9/05/1920. Em 1979 no registro de óbito de sua mãe declarou ser solteiro.

ELMOSA*20/06/1922 - +1/06/2005 em Indaial-SC. Casou-se no dia 20/05/1944 em Indaial, com Hermes Rutzen*23/08/1923 em Benedito Timbó - +15/05/1988 em Indaial-SC.


Obs.  Foram batizados na Igreja de S. Miguel em Biguaçú no dia 9/09/1906 o filho Aristides e no dia 27/12/1911 os filhos: Jorge, Isabel, Nagibar, Matias e André Jacob. No dia 9/05/1920 foram batizados os filhos: Luzia e João.                                                                                   

No registro de óbito de Jacob Miguel Azim (1960) deixou 9 filhos: Isabel, Matias, André Jacob, Nagib, Chams, Maria, Luzia, João e Elmosa. Já falecidos: Jorge e Nagibar.                             



GEORGE MIKHAIL HAZIM – JORGE AZIM JR.

Jorge Azim *1857, Kfaraakka, Libano.


Na viagem trouxe seus dois filhos já moços Hazim George (Jorge, meu bisavô) e Mikhail (Miguel), ficando no Libano a esposa Maryanne com Jubran George e Samuel que eram ainda pequenos. Em uma escala programada no trajeto, o vapor atracou no Porto de Antonina no Paraná, Jorge encantado pelo efervescente porto, com a movimentação econômica da erva-mate, da madeira e com grandes oportunidades do comércio local, decidiu desembarcar as bagagens e cancelar o trecho final até Santa Catarina, fixando residência no local.


Jorge foi morar onde hoje é a esquina da Rua Conselheiro Alves de Araújo com a Rua Antônio Mendes, quase em frente a atual Estação Ferroviária de Antonina.

Na época em que chegou a Estação era mais distante da sua casa. Foi construída em 1892, inicialmente em madeira perto da beira-mar, com os trilhos ramificados indo até os atracadouros para transportarem os produtos, que eram carregados ou descarregados nos navios. Também transportava os produtos que vinham nos carroções da região. A estrutura original de madeira foi destruída por um incêndio em 1914, sendo substituída pelo atual prédio em alvenaria construído em 1916. Bem em frente da casa de Jorge Azim.


Depois que chegaram abrasileiraram seus nomes para Jorge, Jorge Jr, e Miguel, também tiraram o “H” do sobrenome.

Jorge Azim tornou-se comerciante em Antonina, como seus irmãos e depois seus filhos, cada um a sua maneira.

Em 1909, Miguel e Jorge Jr. formaram a Miguel & Irmão, trabalhavam com venda de tecidos por alguns anos.

Jorge Jr. tornou-se caixeiro viajante, pegava as mercadorias em Antonina, provavelmente através do pai e as vendia no Paraná e em Santa Catarina, seu modo de transporte era o trem e as estações em que parava. Em cidades ou pequenos locais, vendendo suas mercadorias para transeuntes e clientes assíduos, como também anotava as encomendas a serem despachadas e entregues posteriormente. Assim que terminavam ele voltava para Antonina para pegar mais.

E Miguel foi morar em Curitiba em 1912, era comerciante.


Para o litoral paranaense imigraram várias famílias libanesas e entre elas os Cecy (Sessim). Em Morretes a 14 quilômetros de Antonina moravam quatro irmãos que vieram de Kfaraakka, Pedro, João, Maria e Isaura.


Jorge Azim Jr. conheceu Maria Cecy *1885 em Kfaraakka, filha de João Cecy e Anna Abrahão Cecy. Se casaram em 1907 (não encontrado nenhum registro) e moraram por um tempo em Antonina, depois por causa da sua profissão Maria ficou morando em Morretes com sua irmã Isaura, casada com João Nicolau Barberi (Issa) *1884 em Kfaraakka. Jorge retornava de suas viagens, ficava um tempo com seu pai, sua família, pegava mais mercadorias e voltava a viajar.

Tiveram 4 filhos que são, Jorge*1908, Chaffic*1909, Hostilio*1910 e Adelia*1912, todos nascidos em Morretes.                                                                                            


A década de 1920 teve muitas mudanças na Família Azim... Momentos muito tristes para o patriarca Jorge...Primeiro o falecimento do seu filho Miguel no dia 19/09/1920 de Edema Pulmonar no Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, sendo sepultado no Cemitério Bom Jesus em Antonina. E a notícia poucos dias depois, que seu filho Jorge Jr. havia falecido em Santa Catarina.


Obs. Em todos os documentos não havia indícios da data, motivo ou local do óbito do Jorge Jr.. Percorrendo pelo Family Search os livros de registros de todas as cidades possíveis em que havia estações de trem em cidades do Paraná e em Santa Catarina encontrei-o em Mafra como José Jorge Azim.


O Prenome "José": Era uma prática eclesiástica e civil extremamente comum no Brasil adicionar "José" (ou "Maria" para mulheres) antes de nomes de imigrantes cristãos árabes em registros oficiais, ou como nome de batismo/conversão, resultando em José Jorge Azim.

Mafra fica exatamente na divisa com o Paraná, separada apenas pelo Rio Negro. A cidade era um entreposto ferroviário e comercial vital na época. Caixeiros-viajantes que subiam ou desciam o Estado comercializando mercadorias (inclusive produtos vindos de portos como Antonina), obrigatoriamente passavam ou se hospedavam na região de Mafra.


REGISTRO

O registro do óbito é do dia 21/09/1920 (apenas 2 dias após a morte do irmão Miguel). É declarado pelo Sr. Gabriel Dequêch que o Jorge estava em sua residência e que cometeu suicídio (não diz o dia) e sem detalhes. Declarou com as testemunhas Carlos Cezar Bacellar e Lucio Marçal da Costa, que o óbito foi atestado pelo Dr. Mathias Puchnicke e sepultado no Cemitério Municipal de Mafra.

Achei suspeito por registrarem depois de tudo realizado, será que foi suicídio ou assassinado?

 

JUBRAN GEORGE HAZIM - GEBRAN AZIM

Logo após tudo que ocorreu Jorge o patriarca manda vir para Antonina seu filho Jubran, do Libano para auxiliá-lo. Seu filho já estava casado com Afifa Gharibe(a)*1902 em Kafaraakka desde 1915 e tiveram a filha em 1919. Primeiro ele veio sozinho e depois veio a esposa Afifa com a pequena Miriam, no Brasil era chamada pela família de Mathilde.

Trabalhavam juntos no comercio e Jubran tornou-se Gebran no Brasil.

Ao chegar em Antonina, Gebran já contava com o suporte do armazém e das conexões que seu pai, Jorge Azim havia estabelecido desde a virada do século. Isso permitiu que ele consolidasse a presença da família no comércio litorâneo e expandisse os negócios e o próspero comércio de Secos & Molhados na cidade.

O comércio de Secos & Molhados de Gebran em Antonina não era apenas uma pequena mercearia de bairro; os registros históricos da época apontam que ele prosperou imensamente.


O patriarca Jorge Azim, falece no dia 26/09/1923 de parada cadio-respiratória e foi sepultado no Cemitério Bom Jesus em Antonina. Gebran continuou morando na casa e trabalhando com comércio, sempre visitando Maria e os sobrinhos em Morretes.


Gebran e Afifa tiveram 5 filhos, Miriam (*22/09/1919) em Kfaraakka, Ludi (*2/07/1926) e Neuza (*17/09/1927) em Antonina, Nida (*9/05/1935) e Nereu (*24/07/1936) em Curitiba.

Por volta de 1930 Gebran vende a casa onde moravam e muda-se para uma casa na Rua Dr. Rebouças perto da sua loja, localizada na frente da Prefeitura, na Rua XV de novembro,145. Sendo muito procurada e próspera.


O Sucesso do Comércio de Gebran Azim

De acordo com os almanaques comerciais da década de 1930 (como o Almanaque Laemmert de 1937 e 1938), Gebran Azim estava listado oficialmente na prestigiada categoria de "Secos e Molhados por Atacado" em Antonina. Isso significa que, além de vender diretamente ao consumidor local, o estabelecimento dele abastecia outros pequenos comerciantes da região litorânea e das colônias agrícolas vizinhas, aproveitando a forte circulação de mercadorias que vinham e iam pelo porto, como também produtos importados

O legado desse comércio e a sua força comercial do nome foi tão grande, que a firma jurídica oficializada em Antonina sob a razão social "Gebran Azim", permaneceu registrada e ativa na junta comercial por quase 60 anos em Antonina, atravessando gerações. Constando no cadastro nacional de empresas com uma data de fundação oficial estendida até sua baixa definitiva.

Ao logo dos anos os filhos foram se casando...

MIRIAM (Mathilde) se casou com Darcy Protasio Borges no dia 21/11/1938, em Antonina. Tiveram 1 filha, Miriam.                                         

LUDI se casou com Carlos João Zimmermann no dia 3/09/1949, em Antonina. Tiveram 5 filhos que são: Carlos Jorge, Carlos Eduardo, Elisabeth, Lilian e Nazareth.

NEUZA não se casou.

NIDA se casou com João Pinto Filho no dia 27/03/1965, em Antonina. Tiveram 1 filha, Isabelle.                                                   

NEREU se casou com Iza Maria Vieira no dia 4/02/1965, em Antonina. Tiveram 4 filhos: Maria Paula, José Paulo, José Fernando e Maria Fernanda.


A descendência de Gebran e Afifa fincou raízes profundas na política, na educação e na cultura de Antonina. O sobrenome tornou-se uma referência histórica na região litorânea, inclusive gerando lideranças públicas locais nas décadas seguintes.

Maria Paula, filha do Nereu e neta do Gebran conta que o avô ajudava muito os libaneses de Antonina, lia as cartas que vinham do Libano e escrevia cartas a serem enviadas, servia como uma ponte entre os patrícios.

 


JORGE AZIM JR., MARIA E FILHOS

Maria adoece e falece em Morretes no dia 14/12/1925, com apenas 40 anos, sendo sepultada no Cemitério Santa Esperança, deixando os 4 filhos órfãos. Jorge (Jorgito) com 17 anos, Chaffic com 16 anos, Hostilio (Máximo) com 15 anos e Adelia com 13 anos.                                               

Como Isaura sua irmã, já com os seus próprios filhos, não podia cuidar de todos os 4 então ficou decidido que Jorgito (Jorge), Chaffic e Ostilio (Máximo) iria morar com o Tio Gebran em Antonina e Adélia ficou sendo cuidada pelos padrinhos João Nicolau e Isaura, em Morretes.

Os sobrinhos Chaffic e Ostilio (Máximo) moraram por alguns anos com os tios e depois foram para Ponta Grossa, Jorgito ficou morando em Antonina, até se casar.


Obs. Eram conhecidos como Jorgito, Hostilio trocou seu nome para Ostilio e depois para Máximo, Chaffic e Adélia. Todos nasceram em Morretes, Paraná.

 

JORGE AZIM NETO (JORGITO)

Jorge foi criado por seu tio Gebran em Antonina e trabalhava a princípio no comércio dele. Casou-se em Antonina com Able Abraão*18/06/1914 em Antonina, filha de libaneses, depois o casal mudou para Paranaguá, aonde Jorgito trabalhou como “Despachante Aduaneiro” na época de Jaime Canet.

Tiveram 4 filhos, Leila, Dirceu, Gilson e Marili (após ficar viúvo, com outra mulher).

Gilson conta que nas férias quando pequenos iam para Antonina e Morretes para passar alguns dias com parentes.

Jorgito faleceu no dia 3/02/1966 de infarto em Curitiba e sua esposa Able no dia 15/04/1959 de isquemia cerebral em Paranaguá, ambos sepultados no Cemitério Municipal de Paranaguá. 


CHAFFIC

Chaffic foi criado também pelo tio Gebran em Antonina. Mais tarde abriu uma serraria em Ponta Grossa e tinha um haras. Ele foi ao cartório e se registrou em 1934, em Ponta Grossa, como Chaffic Cecy Azim, nascido em Morretes, Paraná.

Casou-se no dia 26/10/1935 no local com Aurora Ranni*7/03/1909 em Ponta Grossa.

Tiveram 5 filhos: José Carlos, advogado (faleceu em um acidente dia 2/09/1957), Therezinha, Luiz Carlos, Lêda Maria e Antonio Carlos.

Os filhos foram se casando...

-Therezinha se casou com Leonel Treml.

-Luiz Carlos se casou com Viviane.

-Lêda Maria se casou com Francisco Schneider.

-Antonio Carlos.

 

Chaffic faleceu de colapso circulatório no dia 14/12/1962 e Aurora ou Lóla como era carinhosamente chamada, faleceu de insuficiência respiratória e embolia pulmonar no dia 28/07/1995 em Ponta Grossa. Ambos sepultados no Cemitério São José de Ponta Grossa.


HOSTILIO (MÁXIMO)

Máximo foi criado pelo seu tio Gebran. Depois foi junto com o irmão Chaffic para Ponta Grossa. Trabalhava na “Empresa Tortuga” como representante comercial, era excelente vendedor sendo precursor de técnicas agrícolas nutricionais em bovinocultura no norte do Paraná a partir dos anos 60.

Uniu-se em Ponta Grossa com Laura Pereira Bastos*8/02/1922 em Santo Antonio do Chiador, Mar de Espanha, Minas Gerais, fixando residência em Londrina.

Tiveram 1 filha, Beatriz *16/05/1953 em Londrina, Paraná. Casou-se com Helio Tumushi no dia 7/06/1983 em São Paulo, SP.

Máximo (Ostilio) e Laura viveram juntos como amigos. Houve uma época em que a Beatriz era pequena que seu pai ficou deprimido e para animá-lo Laura e Beatriz iam juntas nas viagens, indo de fazenda em fazenda para que Máximo demonstrasse e vendesse os produtos.

Máximo era uma excelente pessoa, pai e generoso. Tirava a camisa para dar a outro e falava que ganhava mais em um dia do que o presidente em um mês. Mas era mão aberta, alegre, calmo, não bebia, fumava, era mulherengo e tinha muitos amigos.

Máximo poucos meses depois de se aposentar falece, no dia 29/11/1987 de um câncer de próstata e AVC, em Londrina

Laura faleceu em 31/08/2015 de Alzheimer em Londrina. Ambos foram sepultados do Cemitério Parque das Oliveiras de Londrina.

 

ADELIA

Adelia era a caçula. Moravam na casa da sua tia e madrinha Isaura Barberi. Quando criança as meninas gostavam de costurar e bordar, mas em uma ocasião Adelia estava com a tesoura na mão e sofreu uma queda, furando o seu olho e ficando cega de uma vista. Quando tinha 13 anos sua mãe Maria ficou muito doente e faleceu gritando de dores na barriga, e Adelia sempre relembrava este acontecimento, o atestado foi câncer na época.

Assim Adélia foi criada por seus padrinhos até se casar, meses antes foi feito no cartório de Antonina o seu registro de nascimento, sendo o declarante seu irmão Jorge. Adelia dizia que tinha nascido em Antonina, mas provavelmente foi em Morretes, como seus irmãos.


Adélia e Antonio se casaram no dia 26/05/1934 em Morretes, o casamento no civil foi realizado na casa dos padrinhos da Adelia, depois seguiram para a igreja, após a cerimônia voltaram para a comemoração na casa dos Barberi em que foram servidos o bolo, quitutes e bebidas.

No mesmo dia os noivos foram morar no Engenho dos De Bona.

Tiveram 3 filhos que são, Antonio Arnaldo*2/03/ 1935, Zelinda 21/02/1937 e Zeila Maria 28/05/1941, todos nascidos em Morretes.


Após o nascimento da Zeila o Antonio foi trabalhar em uma serraria perto de Bocaiúva, no Passa 7, levando a família. Em 18/12/1944 comprou uma propriedade na Colônia Argelina onde construiu primeiro a casa para morarem, um paiol e como o terreno era comprido foi construindo algumas casas de madeira para alugar.

As crianças estavam crescendo e precisando estudar, no princípio o Arnaldo foi morar com a Tia Thereza e a Zelinda com a Tia Maria, irmãs do Antonio. Pelo problema de visão da Adélia, a casa era necessária e um ponto de apoio em Curitiba.


No começo de 1950, Antonio foi trabalhar na Serraria do Chaffic em Ponta Grossa, levando sua família. Antonio e Adelia permaneceram no local até meados da década de1960.

Os filhos foram se casando...

-Arnaldo Antônio se casou com Olivia Theodoro Adura no dia 28/04/1956 em Ponta Grossa, Paraná.

-Zelinda se casou com Norberto Julio Müller no dia 9/06/1956 em Curitiba.

-Zeila se casou com Luiz Fernando de Oliveira no dia 21/09/1963 em Curitiba, Paraná.

 

Antonio e Adelia foram morar em Curitiba onde ele se aposentou, mas não parou de trabalhar. Pegava em consignação na Fábrica de Fitas Venske objetos de madeira para revender como metros, penais e jogos.

Antônio faleceu no dia 29/08/1972 de traumatismo craneano, em acidente na cidade de Campo Grande-MS e Adélia com parada cadio-respiratória no dia 20/05/1997 em Curitiba.

Antonio e Adélia estão sepultados no Cemitério Santa Esperança em Morretes.


 

GEORGE MIKHAIL HAZIM (Jorge Azim), HAZIM GEORGE HAZIM (Jorge Azim Jr.), MIKHAIL HAZIM (Miguel Azim) e JUBRAM HAZIM (Gebram Azim) NÃO SE NACIONALIZARAM BRASILEIROS. NÃO FOI ENCONTRADO INDICIOS DE QUE MANDAVAM DINHEIRO PARA KFARAAKKA.


 

 

LEMBRANÇAS E COMENTÁRIOS


A Família Azim continua sempre em contato e unidos. Antigamente era mais difícil pela comunicação e transporte, mas se dava sempre um jeito, os que moravam em Curitiba iam para visitas em Antonina, Paranaguá, Ponta Grossa, Londrina e Joinville e vice e versa.

Muitas vezes foram marcados encontros das primas em Curitiba, vinham as de Antonina, Ponta Grossa e de Joinville (Descendentes do Nicolau Miguel). Então, mesmo cada família em cidades diferentes meus avós e tios sempre estavam visitando, depois a nossa geração se encontrando, conversando por telefone ou pelas redes sociais. As famílias cresceram e se distanciando aos poucos, mas sempre sentimos carinho por todos e orgulho de ser "Azim".


Uma das últimas visitas que fizemos para a prima Neuza em Antonina foi em 2014, onde ela nos recebeu com sua alegria de sempre e conversamos sobre o meu trabalho, a genealogia da família.

Ela me contou radiante que o bisneto do Gebran, neto da Ludi, filho do Carlos Jorge Zimmermann, o Carlos Henrique (Caique) tinha ido para o Líbano e foi até Kfaraakka ver se achava alguém da Família Azim por lá e que tinha encontrado.

Maria Paula, neta do Gebran e filha do Nereu, chegou enquanto conversávamos com a Neuza e dias depois me passou o e-mail em que o Caique conta sobre a Família do Samuel, o filho do Jorge que ficou no Libano, e que queriam saber mais sobre a família do Brasil.


E voltamos de onde viemos... Kfaraakka

 

E-mail de Carlos Henrique Zimmermann do dia 23/06/2014                                  

Assunto: Kafaraca


Pai, tios e irmãos,

Como vão vocês? O pai já deve ter comentado com vocês que na semana passada visitei Kafaraka e procurei, pedindo informações na rua, pela família Hazim (Azim). Na ocasião, encontrei a casa de dois bisnetos de Jorge Hazim, que é também bisavô de vocês. Foram muito gentis, mas sabiam pouco da família no Brasil, como não sabemos da família que ficou aqui. Chamam-se Marcel Hazim e Hazim Hazim. Ambos migraram há anos para o Cameroun, seguindo familiares, e lá fizeram fortuna (construção civil, madeira, comércio, etc.). Hoje são proprietários de diversos imóveis no vilarejo e tem algumas atividades comerciais por lá. Típicos migrantes empreendedores libaneses. A imigração mais recente, como a deles, foi em número significativo para o Oeste da África e lá se instalaram com bastante sucesso. 


Todas as vilas do Líbano hoje vivem de dinheiro recebido da diáspora. O país depende vitalmente do fluxo de divisas de libaneses que vivem espalhados nos cinco continentes e enviam dinheiro para cá, para auxiliar familiares ou como investimento.  A imigração mais recente mantém vínculos fortes com o país e regressam com frequência. 

Segundo Matilde, prima da vó Ludi pelo lado Hazim (senhora que está nas fotos do almoço comigo e com as filhas), Jorge Hazim teria sido envenenado quando retornava de barco para o Líbano, por pessoas que roubaram o dinheiro que trazia de volta. Maryanne, bisavó de vocês, nunca viu seu marido vivo novamente, mas aparentemente ele está enterrado por aqui. Ela, aliás, teria perdido contato com os filhos no Brasil. Segundo Matilde, Gebran e Hazim Jorge Hazim, por razão desconhecida, não mantiveram contato com a mãe (Maryanne). 


Daí o fato de não sabermos nada do povo Hazim daqui. 


Gibran e Afifa saíram de um vilarejo bem pobre e muito mais modesto do que o retratado nas fotos. A casa de ambos era de barro e quando chovia entrava água em todos os cômodos. A pobreza era a regra na região. Hoje, como verão nas fotos, a casa dos Hazim foi reformada e ampliada, na verdade praticamente reconstruída. As famílias Hazim e Gharibe(a) eram vizinhas, apenas uma viela de menos 3 metros separava as duas casas. O terreno pertencente aos Gharibe foi comprado pelo Hazim Hazim e hoje é um jardim (verão nas fotos que ao lado da casa grande com um trator na frente há um jardim, antes era a casa dos Gharibe).


Esse é um e-mail um pouco desconexo, mas queria passar essas informações para vocês. Foi emocionante ver de onde vieram meus/nossos antepassados e poder me encontrar com alguns deles. Trataram-me como família. Semana que vem comerei chisparak na casa da Matilde, se tiverem mais informações sobre a família de Hazim Jorge Hazim (Jorge Azim), irmão de Gebran, me avisem. Perguntaram onde moravam, o que os filhos faziam, etc.

 

Beijos saudosos

Caíque. 


OBS. Por estar contando com prioridade a história sobre a "Família Hazim", não adicionei neste trabalho uma parte do e-mail original. Dois parágrafos em que Carlos Henrique conta sobre a "Família Garibe(a)", parentes da Afifa (sua bisavó) que moram no local.


 

TERRAS EM KFAR AAKKA

No começo da década de 1980, um advogado representando os parentes que moravam no Libano entrou em contato com a minha avó Adélia, era relacionado a herança do seu bisavô George Hazim. Ele perguntou se ela gostaria de receber a sua parte das terras em Kfaraakka ou em dinheiro, como não tinha interesse sobre as terras entrou em acordo e foi recebido o pagamento (não mencionou a quantia).

A pouco tempo soube que entraram em contato também com descendentes do Nicolau Miguel Azin e provavelmente com os descendentes do Jacob Miguel Azim, fazendo a mesma proposta.

Obs. Não tenho informações se George Hazim tinha outros filhos ou só os três que vieram para o Brasil, como também sobre os parente de Kfaraakka (nomes), que mandaram o advogado como seu representante sobre a partilha.





Referências:


- Fotos da família ao longo dos anos e restauradas (algumas por IA), documento do Gebran, lápide do Miguel, Antonina (atual), onde era o comércio e casa do Gebran (atual) como também da Estação ferroviária com a localização do local onde ficava a casa do Jorge Azim.

- Fotos antigas de Antonina, postagens na internet (restauradas e colorizadas)

- Family Search e Ancestry, sobre registros e matérias de jornais dos E.U.A, BDN digital (jornais antigos no Brasil), SIAN (documento de entrada de estrangeiros nos Portos do Brasil) e no Google foto Estação de Antonina (aérea), sobre notícias dos Azin na Argentina e da Vila de Kfaraakka.

- Histórias relatadas pela família e esclarecimentos.

-Carlos Henrique Zimmermann (e-mail) sobre a Família Hazim em Kfaraakka e fotos.



FOTOS





 












PORTÃO DA CASA DOS "HAZIM" EM KAFARAAKKA


 











VILA DE KAFARAAKKA (KAFARACA),DISTRITO DE KOURA, LÍBANO

















ANTONINA, PARANÁ (1893,poucos anos antes da chegada de George Hazim)













ANTONINA 1909

















CARROÇÔES TRAZENDO OU RECEBENDO PRODUTOS DO PORTO
















ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE ANTONINA (antes de 1914)






















ESTAÇÃO ATUAL E LOCAL ONDE JORGE FOI MORAVA EM1899



















LÁPIDE DO MIGUEL AZIM (Cemitério Bom Jesus de Antonina)















LOCAL DO COMÉRCIO, GEBRAN AZIM, ANTONINA














CASA DO GEBRAN AZIM (após 1930), ANTONINA (foto atual)





















DOCUMENTO GEBRAN (Registro de estrangeiros,

recenseamento, Gebran não aceita a naturalização)



















GEBRAN AZIM (Jubran George Hazim)



















AFIFA GARIBA AZIM (esposa Gebran)
























JORGE AZIM NETO.


























CHAFFIC CECY AZIM.



















MAXIMO (Hostilio) AZIM.

























ADELIA AZIM DE BONA.



















SIMON AZIN (Simão Azim, filho do Nicolau

Miguel Azin que imigrou para os E.U.A.).
















ENCONTRO DAS PRIMAS EM CURITIBA, Zelinda (neta do Jorge Azim Jr),

Santa e Angelina (netas de Nicolau Miguel Azin) e as filhas da Angelina.



















ENCONTRO DAS PRIMAS, Miriam e filha (Miriam/Mathilde), Zeila, Sinthia, Zelinda

e Karin ( Adelia), Lêda Maria e Therezinha (Chaffic) e Beatriz (Máximo).


















ENCONTRO DAS PRIMAS: Lilian, Mirian, Beth, Nida e Neuza (Gebran Azim), Leila e

Regina (Jorge Azim Neto), Zelinda, Zeila e Karin (Jorge Azim Jr,)




















GILSON AZIM (filho Jorgito) E ESPOSA SOLANGE




















BEM VINDOS À KFARAKKA
















MATILDE (filha do Samuel) com as filhas, neta e o Carlos Henrique Zimmermann

(Caique),bisneto do Gebran Jorge Azim.

























MARCEL HAZIM, HAZIM HAZIM (bisnetos do George Hazim),

CARLOS HENRIQUE ZIMMERMANN (trineto do George Hazim)

e o Sr. de branco (não foi mencionado quem é)

















CARLOS HENRIQUE ZIMERMANN ALMOÇANDO COM A FAMÍLIA

Matilde (a senhora do lado esquerdo, única filha viva de Samuel Hazim). Relembrando que Samuel foi o único filho de Jorge Hazim que ficou no Libano.




 













LATERAL DA CASA DIVISA COM A FAMÍLIA GARIBE(A)


VISTA DE KAFARAAKA




ASSINATURAS






NICOLAU MIGUEL AZIN (primeiro que veio para o Brasil)








AZIM JORGE AZIM JR. (meu bisavô, filho de George Hazim)









GEBRAN AZIM (Filho de George Hazim)


 
 
 

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